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Textos Arte Popular

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Textos sobre Arte Popular

          "A Loucura do Barro"
                    Jorge H. Bastos

           "O Galo de Barcelos"

         "Barros de Estremoz"
                      Azinhal Abelho

 "O Segredo está no Brunir
      com um Pequeno Seixo
                               do Rio"
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      "Só vou a Feiras se me
              Pagarem todas as
                          Despesas"

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LENÇOS DE NAMORADOS

A história dos Lenços de Namorados remonta ao século XVII / XVIII e aos lenços senhoris de linho, bordados sempre em ponto de cruz, a preto e vermelho.

Estes eram lenços, como o próprio nome indica, feitos por bordadeiras de classe social mais elevada, que possuíam conhecimentos mais aprofundados da arte de bordar, não só pelo ponto em si, mais elaborado e demorado, mas também pelo rigor e estudo da simetria que denotam e pela erudição que transparece dos elementos decorativos utilizados.

É a partir deles que vão aparecer depois os Lenços de Namorados, mais populares (com quadras de amor muito ingénuas e muitos erros ortográficos dada a transposição da linguagem oral minhota), policromados (o típico colorido minhoto), sobretudo em ponto-pé-de-flor (muito mais fácil), bordados em linho mas também em algodão, com uma decoração menos geométrica e mais variada.


Estes lenços, que eram também um simples adorno quando usados à cintura pelas raparigas no seu trajo de festa, celebrizaram-se pelo compromisso amoroso que lhes estava implícito. Na verdade, a rapariga bordava um lenço para um rapaz de quem gostava e caso este o aceitasse e usasse ao pescoço ou no casaco, o compromisso entre os dois estava assumido com vista a um futuro casamento. Se o rapaz não estava interessado naquela rapariga, devolvia-lhe simplesmente o lenço. Se e por vezes isso acontecia, esse compromisso viesse a desfazer-se no futuro, o rapaz devolvia à ex-namorada o lenço que esta lhe tinha oferecido, bem como todas as cartas, fotografias e outros objectos pessoais.

Pensa-se que foi a partir destes lenços que surgiram mais tarde os Lenços de Casamento, muito maiores, que a noiva levava na cabeça, ou que envolviam o ramo, bem como as algibeiras usadas à cintura bordadas com missangas e fitas de veludo.

Felizmente este património não foi esquecido e conseguiu estar entre nós nos dias de hoje graças sobretudo e em primeiro lugar aos incentivos institucionais locais de Vila Verde.